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domingo, 11 de setembro de 2011

A lição das Pulgas

O crescimento da concorrência, a valorização do conhecimento como arma de competitividade, o ritmo frenético das inovações tecnológicas e nos sistemas de informática que aproximaram o relacionamento cliente empresa, criaram a mudança de vários valores dentro das empresas, onde organizações flexíveis são indispensáveis aos tempos atuais e a renovação contínua tornou-se matéria de sobrevivência. Diante deste cenário, fala-se muito na necessidade de mudança, na quebra de paradigmas, em reconstrução e em reengenharia. E isso pode ser bom, mas também pode ser uma armadilha.

Lembro-me de uma velha estória que recebi de um amigo de duas pulguinhas que se julgavam espertas. Em um dia qualquer as duas amigas pulgas estavam conversando e uma disse para a outra: - Sabe qual é o nosso problema? Nós não voamos, só sabemos saltar. - E daí? – questionou a amiga com curiosidade. - Daí que a nossa chance de sobrevivência quando somos percebidas é zero. É por isso que existem muito mais moscas do que pulgas no mundo: moscas voam.

Depois de muito divagarem tomaram a decisão de aprender a voar. A primeira ação foi contratar uma mosca como consultora e a conselho dela entraram num programa intensivo e pouco tempo depois saíram voando.

Passado algum tempo, a primeira pulga falou para a outra: - Sabe? Voar não é o suficiente, porque ficamos grudadas ao corpo do cachorro. Portanto, o nosso tempo de reação é menor do que a velocidade da coçada dele. Temos que aprender a fazer como as abelhas, que sugam e levantam vôo rapidamente. Mais uma vez recorreram a uma consultoria e contrataram o serviço de uma abelha, que lhes ensinou a técnica do chega-suga-voa. Funcionou, mas não resolveu. Porque, como a primeira pulga explicou: - Nossa bolsa para armazenar sangue é muito pequena, por isso temos que ficar sugando por muito tempo. Escapar, a gente até escapa, mas não estamos nos alimentando adequadamente.

Temos que aprender com os pernilongos como é que eles conseguem se alimentar com mais rapidez. E um esperto pernilongo que se dizia o máximo lhes prestou uma consultoria sobre como incrementar o tamanho do abdômen. E as duas pulgas ficaram felizes. Mas esta felicidade durou apenas uns poucos minutos. Como tinham ficado muito maiores, sua aproximação era facilmente percebida pelo cachorro. E elas começaram a ser espantadas antes mesmo de conseguir pousar.

Foi aí que encontraram uma saltitante pulguinha dos velhos tempos: - Ué, o que aconteceu com vocês? Vocês estão enormes! Fizeram plástica? - Pois é, nós agora somos pulgas adaptadas aos grandes desafios do século XXI. Voamos ao invés de saltar, picamos rapidamente e podemos armazenar muito mais alimento. - E por que é que vocês estão com essa cara de subnutridas? - Isso é temporário. Já estamos fazendo consultoria com um morcego, que vai nos ensinar a técnica do radar.

E você? - Ah, eu vou bem, obrigada. Forte e sacudida. Era verdade. A pulguinha estava viçosa e bem alimentada. Mas as duas pulgonas não quiseram dar a pata a torcer: - Mas você não está preocupada com o futuro? Não pensou em uma consultoria? - E quem disse que eu não tenho uma? Contratei uma lesma como consultora. - Hã? – exclamaram elas - o que lesmas têm a ver com pulgas? - Tudo. Eu tinha o mesmo problema de vocês. Mas ao invés de dizer para a lesma o que eu queria, deixei que ela avaliasse bem a situação e me sugerisse a melhor solução. E ela ficou ali três dias, quietinha, só observando o cachorro, tomando notas e pensando.

E então a lesma me deu o diagnóstico da consultoria dizendo: - Você não precisa fazer nada radical para ser mais eficiente. Muitas vezes, uma “grande mudança” é apenas uma simples questão de reposicionamento. - E isso quer dizer o quê? – questionaram ambas. - Vocês querem saber o que a lesma me sugeriu fazer? - Isso – responderam com interesse. - Simples – disse a pulguinha com convicção – ela me aconselhou a sentar no cocuruto do cachorro. - Não entendi o porquê? – interveio uma das pulgonas. - Lá é o único lugar onde ele não consegue alcançar com a pata".

Concluindo, sobreviver, desabrochar, inovar, mostrar excelência e liderança nesta nova realidade nos exigirão ir além da eficácia e ir além da eficácia não significa passar a borracha e começar tudo de novo.

Fonte: Rubens Fava

Sucesso Sempre!!!

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