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terça-feira, 29 de abril de 2014

Maio Amarelo...apoie este movimento


O MOVIMENTO MAIO AMARELO

O Movimento MAIO AMARELO nasce com uma só proposta: chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito de todo o mundo. O objetivo do movimento é uma ação coordenada entre Poder Público e a sociedade civil. A intenção é colocar em pauta o tema segurança viária e, mais do que chamar a atenção da sociedade sobre os altos índices de mortes, feridos e sequelados permanentes no trânsito no país e no mundo, mobilizar o seu envolvimento e também dos órgãos de governos, empresas, entidades de classe, associações, federações, sociedade civil organizada para, fugindo das falácias cotidianas e costumeiras, efetivamente discutir o tema, engajar-se em ações e propagar o conhecimento, abordando toda a amplitude que o tema exige, nas mais diferentes esferas.
Acompanhando o sucesso de outros movimentos, como o “Outubro Rosa” e “Novembro Azul”, os quais, respectivamente, tratam dos temas câncer de mama e próstata, o “MAIO AMARELO” estimula você a promover atividades voltadas a conscientização, ao amplo debate das responsabilidades e avaliação de riscos sobre o comportamento de cada cidadão, dentro de seus deslocamentos diários no trânsito.
E por isso, o seu símbolo não poderia ser diferente ao laço escolhido, na cor amarela, cuja simbologia em relação a conscientização no combate ao câncer de mama, de próstata (e a sua identificação precoce) e, até mesmo, ao vírus do HIV, está amplamente consolidada pela sociedade. A escolha propositada do laço como símbolo do Movimento vai ao encontro da necessidade da sociedade tratar os acidentes de trânsito como uma verdadeira epidemia e, consequentemente, acionar cada cidadão a adotar as cautelas e prudência hábeis a poupá-lo de ser uma vítima.
Vale ressaltar que o MAIO AMARELO, como o próprio nome traduz, é um movimento, uma ação, não uma campanha, ou seja, cada cidadão, entidade ou empresa pode utilizar o laço do “MAIO AMARELO” em suas ações de conscientização tanto no mês de maio, como, na medida do possível, durante o ano inteiro.
A motivação para o Movimento MAIO AMARELO não é novidade para a sociedade. Muito pelo contrário, é respaldada em argumentos de conhecimento público e notório, mas comumente desprezados sem a devida reflexão sobre o impacto na vida de cada cidadão.
Em conclusão, aguarda-se a participação e envolvimento de todos comprometidos com o bem-estar social, educação e segurança em decorrência de cultura própria e regras de governança corporativa e função social, razão pela qual, convidamos você, sua entidade ou sua empresa a levantar essa bandeira e fazer do mês de maio o início da mudança e do AMARELO a cor da “atenção pela vida”.
Sobre a Década de Ação para Segurança no Trânsito
A Assembleia-Geral das Nações Unidas editou, em março de 2010, uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a “Década de Ações para a Segurança no Trânsito". O documento foi elaborado com base em um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) que contabilizou, em 2009, cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Aproximadamente 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas.
São três mil vidas perdidas por dia nas estradas e ruas ou a nona maior causa de mortes no mundo. Os acidentes de trânsito são o primeiro responsável por mortes na faixa de 15 a 29 anos de idade, o segundo na faixa de 5 a 14 anos e o terceiro na faixa de 30 a 44 anos. Atualmente, esses acidentes já representam um custo de US$ 518 bilhões por ano, ou um percentual entre 1% e 3% do produto interno bruto de cada país.
Se nada for feito, a OMS estima que 1,9 milhão de pessoas devem morrer no trânsito em 2020 (passando para a quinta maior causa) e 2,4 milhões, em 2030. Nesse período, entre 20 milhões e 50 milhões de pessoas sobreviverão aos acidentes a cada ano com traumatismos e ferimentos. A intenção da ONU com a "Década de Ação para a Segurança no Trânsito" é poupar, por meio de planos nacionais, regionais e mundial, cinco milhões de vidas até 2020.
O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito. Juntas, essas dez nações são responsáveis por 62% das mortes por acidente no trânsito.
O problema é mais grave nos países de média e baixa renda. A OMS estima que 90% das mortes acontecem em países em desenvolvimento, entre os quais se inclui o Brasil. Ao mesmo tempo, esse grupo possui menos da metade dos veículos do planeta (48%), o que demonstra que é muito mais arriscado dirigir um veículo — especialmente uma motocicleta — nesses lugares.
As previsões da OMS indicam que a situação se agravará mais justamente nesses países, por conta do aumento da frota, da falta de planejamento e do baixo investimento na segurança das vias públicas.
De acordo com o Relatório Global de Segurança no Trânsito 2013, publicado pela OMS recentemente, 88 países membros conseguiram reduzir o número de vítimas fatais. Por outro lado, esse número cresceu em 87 países.
A chave para a redução da mortalidade, segundo o relatório, é garantir que os estados-membros adotem leis que cubram os cinco principais fatores de risco: dirigir sob o efeito de álcool, excesso de velocidade, não uso do capacete, cinto de segurança e cadeirinhas. Apenas 28 países, que abrigam 7% da população mundial, possuem leis abrangentes nesses cinco fatores.
O relatório destaca que:
- 89 países, cobrindo 66% da população mundial, têm legislação com relação a beber e dirigir, com limite de álcool no sangue de 0.05g/dl ou menor, conforme recomendado pela OMS;
- 90 países, cobrindo 77% da população mundial, têm leis que obrigam o uso de capacete;
- 111 países, cobrindo 69% da população mundial, têm leis que obrigam o uso do cinto de segurança para todos os ocupantes;
- 96 países, cobrindo 32% da população mundial, têm uma legislação para cadeirinhas.
O documento também aponta que na maioria dos países – mesmo alguns daqueles com melhores resultados – a aplicação das leis é inadequada.
Alguns grupos foram identificados como aqueles com maior risco de morrer em acidentes de trânsito:
- 59% das vítimas fatais estão na faixa etária dos 15 aos 44 anos, e 77% são homens;
- pedestres e ciclistas representam 27% de todas as mortes no trânsito. Em alguns países, esse percentual é superior a 75%, resultado de décadas de negligência com a segurança desses usuários nas políticas públicas, em favor do transporte motorizado;
- o risco de morrer em um acidente de trânsito é maior na África (24.1 a cada 100 mil pessoas) e menor da Europa (10.3 a cada 100 mil)

Selecione o código abaixo, copie e cole no seu site e apoie também esta ideia!

<a href="http://www.maioamarelo.com/" target="_blank"><img src="http://maioamarelo.com/maio_amarelo/logo_ma.png" width="280" border="0" height="120" title="Maio Amarelo" alt="http://www.maioamarelo.com/" /></a>


terça-feira, 8 de abril de 2014

Simulador de Direção não é um brinquedo...por Roberta Torres!!!

Parabéns Roberta Torres!!!
Sentimos orgulho de ter uma pessoa tão inteligente, sensata, sensível e capaz de trazer o conhecimento de uma forma exuberante e enriquecedora a este segmento.
Para quem ainda tinha dúvidas sobre esta questão, vantagens, imposições e sobre o principal argumento "deles" sobre o tal "estudo do denatran", deliciem-se com este texto.
Tenham uma ótima semana.
Att
Emerson Santana

À medida que as ferramentas de tecnologia vêm avançando, o debate sobre a importância do uso delas, incluindo o simulador de direção na formação dos condutores também é crescente. Hoje, existe uma convicção de que o uso do simulador irá melhorar a formação dos condutores e isso é perfeitamente plausível. Um dos principais responsáveis pelo aumento dos fatores de risco dos motoristas novatos se envolverem em um acidente segundo a psicóloga inglesa Lisa Dorn é a incapacidade de prever e gerir riscos. Os motoristas novatos tiveram menos contato com o trânsito e menos tempo de desenvolver e refinar seus modelos mentais. Eles são menos capazes de prever corretamente a evolução das prováveis situações de risco no trânsito.

No Brasil, muito tem se discutido a respeito do simulador de direção desde a publicação da resolução 444/2013 pelo Conselho Nacional de Trânsito –CONTRAN. Tenho lido e assistido dezenas de matérias, entrevistas, reuniões e audiências públicas sobre o assunto que aparentemente é bastante polêmico. Digo aparentemente polêmico por toda a cortina de fumaça que paira sobre o assunto obstruindo nossas visões para enxergarmos a realidade.

Após ouvir tantos especialistas se pronunciarem pulverizando dados estatísticos e estudos de outros países, resolvi dar a real atenção que o tema merece. Além de professora, sou estudante e apaixonada por pesquisa e um dos papéis do pesquisador é questionar. Desde o início, minhas perguntas sempre foram as mesmas. Perguntas sem respostas: o simulador de direção é capaz de contribuir para uma melhor formação do condutor no Brasil? O simulador reduzirá em 50% os índices de mortes e acidentes de trânsito no Brasil? O simulador é um instrumento de educação para o trânsito no Brasil? Que tipo de simulador é melhor para atender às necessidades dos candidatos à habilitação? Uma aula no simulador equivale à duas, três ou quatro aulas no ambiente real no Brasil? Quão realista o simulador precisa ser? Os candidatos à habilitação irão levar o simulador a sério? Quais as provas de que a aprendizagem adquirida no simulador será transferida para o mundo real? Porque 15 metros de espaço para o simulador e não 10, 11, 12 ou 50? Porque 5 aulas no simulador e não 1, 2, 5 ou 30?

Ao conseguir finalmente o estudo encomendado pelo Governo à Universidade Federal de Santa Catarina cujo título “Estudo do uso de simuladores e recursos de realidade virtual para formação de condutores em autoescolas”, que aqui chamarei de “nosso estudo”, acreditei que encontraria todas as respostas para as minhas perguntas ou pelo menos a maioria. Óbvio, não? Com tanta gente falando por aí que o simulador é a solução para os problemas do trânsito no Brasil, precisamos das respostas. Precisamos do embasamento teórico!

Ao ler e reler todo o estudo referência que temos em nível nacional a respeito do tema simulador de direção na formação de condutores, confesso fiquei decepcionada. O estudo mais parece uma colcha de retalhos onde o “copiar/colar” foi a premissa. Um assunto tão sério não poderia ter sido tratado com tanto descaso, principalmente por uma Universidade Federal. Um exemplo básico do que estou falando é que existem diversas afirmações, convicções e declarações sem citar as referências. Quem está no meio acadêmico deve concordar comigo que uma regra básica de um estudo acadêmico é citar as referências daquilo que escreve a não ser que tenha sido um conhecimento por você desenvolvido, algo novo, que ninguém tenha escrito. Neste caso, você apresenta os dados da sua pesquisa dos seus questionários, da amostra que usou, etc. Sem comprovação científica, o que você escreve passa a ser um mero “achismo”. Assim como este texto escrito por mim.

À medida que fui percebendo que minhas perguntas continuavam sem respostas com o “nosso estudo”, fui buscar informações nas referências não citadas no texto, mas listadas ao final do trabalho e em muitas outras referências. Na verdade, já perdi as contas de quantos artigos li a respeito. Até o momento, acima de 200. É assim que se constrói o conhecimento.
Ainda há muito que escrever, mas vou me ater a somente minhas dúvidas iniciais, já que sei que diversas outras ainda virão.

O simulador de direção é capaz de contribuir para uma melhor formação do condutor no Brasil?
No “nosso estudo” essa pergunta não teve resposta. Não houve um trabalho realizado com candidatos à habilitação que foram formados com o simulador e outros sem o simulador de direção, para posteriormente compararmos.  E além de não haver resposta, essa pergunta ainda gera outras perguntas: quais são os reais índices de aprovação nos exames de direção do país? Quantas aulas em média cada aluno faz antes de prestar o exame prático? Os candidatos que se formaram com o simulador fizeram menos aulas? Os candidatos que se formaram com o simulador foram aprovados mais rapidamente? Eles adquiriram habilidades mais rapidamente que o outro grupo?

O simulador reduzirá em 50% os índices de mortes e acidentes de trânsito no Brasil?
Essa é a melhor de todas as perguntas, porque é tão mascarada a maneira como os dados estatísticos são simplesmente jogados para a população aqui no Brasil que dará muito mais trabalho do que um simples texto. Diariamente ouvimos dados estatísticos e vamos replicando por aí me lembrando uma velha brincadeira de infância: o telefone sem fio. Quantas pessoas falaram por aí que “Os EUA realizou uma pesquisa que comprova que o uso do simulador pode reduzir pela metade o número de acidentes, nos 24 primeiros meses após aprovação da habilitação”. Quantas vezes ouvimos? E onde estão esses dados? Quais foram os estudos? Quais as características dos simuladores? Quais as características dos alunos? Quais as características da legislação desses países?

Em primeiro lugar, existem centenas de estudos relacionados ao simulador de direção, muitos dos próprios fabricantes e mais especificamente de como o sistema deve ser. Já a literatura acadêmica oferece pouca orientação sobre o conteúdo ideal e estudos consistentes como o de Wade Allen. Em seu estudo “The Effect of Driving Simulator Fidelity on Training Effectiveness” no ano de 2007 foi onde encontrei os tais 50% tão divulgados e deturpados. Aliás, esse é o único momento em que o “nosso estudo” cita a redução de 50%. Mas vamos às condições.

Para começo de conversa o estudo de Allen foi realizado na Califórnia, um dos cinquenta Estados Americanos e também na Nova Escócia uma das províncias do Canadá. Durante 4 anos na Califórnia e 2 anos na Nova Escócia, eles estudaram o comportamento de condutores formados em três tipos diferentes de simuladores e compararam as taxas de envolvimento em acidentes com motoristas novatos que não foram formados com o simulador. Ao todo participaram do estudo 554 jovens.

Eles avaliaram três tipos de simuladores, porém com cenários e situações semelhantes. O primeiro simulador (NFOVD) é um simulador de mesa equivalente ao vídeo game que encontramos no mercado. Tem um estreito campo de visão, representa 50% do tamanho real da imagem com os controles de jogos e espelhos retrovisores laterais. Os alunos que faziam parte dessa amostra eram estudantes do ensino médio que fizeram os testes nas aulas de educação para o trânsito.

Já o segundo simulador (WFOVD) é um simulador que possui três monitores ampliando o campo de visão, porém representa 50% o tamanho real da imagem e espelhos retrovisores. É parecido com o “nosso simulador”, porém sem ocockpit. O próprio “nosso estudo” compara este modelo com o “nosso simulador”.

E por fim, o terceiro simulador (WFOVC) é um veículo com um amplo campo de visão, que apresenta 100% o tamanho da imagem com espelhos retrovisores. Esse simulador é um modelo considerado mais avançado pois tem um sistema chamado de “estado da arte” onde os movimentos que um carro faz são simulados com o uso da cinergia e graus de liberdade (movimentos translacionais e rotacionais). Não com a perfeição de um ambiente real, mas uma versão muito mais avançada e próxima da realidade. Abaixo, os modelos dos simuladores testados por Allen.


Eles investigaram por mais de dois anos o tempo que cada grupo levou para obter a carteira de motoristas e o envolvimento deles em acidentes de trânsito. E ainda assim, consideraram essa média de tempo boa para os dados da literatura, mas problemática porque muitos dos jovens demoraram mais do que os outros para obterem a carteira. 

De acordo com o estudo, o índices de acidentes no modelo 3 foram seguramente inferiores aos motoristas tradicionalmente treinados na Califórnia e no Canadá. A taxa de acidentes com os motoristas formados neste modelo foi menor que a metade do segundo modelo do simulador e 66% menor que a taxa dos motoristas formados tradicionalmente. Segue o gráfico.

Nosso estudo

Agora vamos aos estudos do Brasil. Foram construídos três protótipos. O primeiro protótipo denominado P1 é um simulador de mesa com jogos comerciais de corrida. Equivalente ao NFOVD. O segundo protótipo denominado P2 é um simulador intermediário que tem as funcionalidades mínimas de um simulador compacto. São três monitores. Uma versão melhor do WFOVD de Allen. E o terceiro protótipo, denominado P3 é um simulador mais avançado com três monitores, um sistema de cinestesia com dois graus de liberdade montado na base do motorista. O que permite um movimento parecido com o movimento de um automóvel. Não é equivalente ao WFOVC tanto pela estrutura, quanto pela projeção.

Preciso de um parágrafo só a título de comparação. Os simuladores usados em pesquisas e desenvolvimento mais avançados possuem plataformas de movimentação em 6 graus de liberdade, projetores externos de 360 graus, mesa de deslocamento para gerar acelerações lineares e cabine em formato interno real. Mas tudo bem, esses simuladores só são usados em casos de pesquisas pois são caríssimos. Mas há os simuladores de cabine que são um automóvel onde as imagens projetadas possuem um campo de visão entre 150 a 270 graus e as plataformas de movimentação de até 6 graus de liberdade. Esses também estão fora do nosso alcance. Mas existe também os simuladores compactos que em seu formato mais completo possuem assento com vibração e sistema de movimentação com 2 graus de liberdade. E depois dele um quarto modelo que são os simuladores de mesa.

Bem. Voltando ao “nosso estudo”. Ao chegar na parte chamada “Testes e ensaios preliminares”. Foram realizados testes com os próprios colaboradores e técnicos envolvidos no desenvolvimento dos equipamentos. Até aí tudo bem. Os testes eram para validar os simuladores e melhorar suas performances. Depois, o estudo passa para a experiência em uma autoescola em Minas Gerais. Segundo o “nosso estudo”:

Para efeito de pesquisa preparatória para a clínica de simuladores realizada em Florianópolis, foi realizada uma observação do uso de um simulador veicular em uma autoescola em Pouso Alegre.
O modelo de simulador analisado é uma inovação em âmbito nacional creditada pelo proprietário da autoescola.
O simulador de Pouso Alegre não conta com a cinestesia, mas apenas com a imersão física (cabine) e audiovisual.
Os alunos recebiam com entusiasmo a aula no simulador e afirmaram que ele proporcionou uma aprendizagem muito útil para suas aulas práticas subsequentes...
...
...
Conclui-se que essa iniciativa possui grande mérito e constitui estudo de caso indispensável para a determinação de um sistema brasileiro de ensino em autoescolas mediado por simuladores de direção.

Conclui-se que: não conclui-se nada. Onde estão os resultados? Qual foi o tamanho da amostra? Quem foram os alunos? Quantos homens? Quantas mulheres? Quais elementos comprovam que eles saíram melhor formados?

Depois dessa experiência na autoescola em Minas Gerais, foi a vez da avaliação dos protótipos em uma autoescola em Santa Catarina. Os três modelos de simuladores foram submetidos a um grupo de teste durante dois meses e meiocom um total de 19 alunos de uma autoescola em Santa Catarina. Sendo 6 alunos no P1 no período de 6 a 16 de julho (10 dias); 5 alunos no P2 no período de 2 a 13 de agosto (11 dias) e 8 alunos no P3 no período de 18 a 27 de agosto (9 dias). O ano não foi informado. Incluíram no estudo além dos alunos, instrutores de direção e visitantes especiais. Me pergunto até hoje o que seriam esses visitantes especiais.

Segundo o “nosso estudo” os alunos foram selecionados aleatoriamente e homogeneamente em sua distribuição de sexo, idade. Esqueceram de citar as condições também porque na amostra tinham pessoas habilitadas, não-habilitadas, com trauma, que já dirigiam sem estar no processo de habilitação. Enfim, realmente bastante “homogênea”.

Os testes foram realizados em um CFC em Florianópolis em uma sala de 14 metros quadrados preparada mediante critérios ergonômicos tais como conforto, iluminação, som, segurança, etc. Aqui, caberia uma nova pergunta: porque 14 metros e não 15? Ou 8? Ou 10? Não há respostas.

Cada testador participou de um programa de cinco sessões. Cada sessão contando com trinta minutos de duração com conteúdos definidos. Aqui cabe outra pergunta: porque 5 sessões e não 1, 2 ou 10? Não há respostas.

A super amostra de 19 alunos avaliados em média em 10 dias foram entrevistados, observados, registrados com fotos e vídeos e não divulgados. Os resultados? Onde estão os resultados? O que vocês descobriram?

Achei!! Só que não. No item 6 com o título “Resultados dos experimentos”. Nesta sessão, segundo o “nosso estudo” foram descritos os resultados gerais dos experimentos, começando com informações sobre os testadores, e partindo para uma tabela comparativa dos três modelos de simuladores.

Parece piada, mas não é, infelizmente. No “nosso estudo” colocaram neste capítulo as fotos dos participantes com as seguintes legendas:

A, 18 anos, nunca havia dirigido.
V, 19 anos, dirigia há 4 sem habilitação
S, 27 anos, dirige desde os 16 anos, mas sem habilitação
W. 56 anos, ex-motorista de caminhão, há 5 anos sem habilitação.
V. 22 anos, nunca havia dirigido. Dizia-se “muito nervosa” com a ideia.
C. 30 anos. Dirige há 10. Havia perdido sua habilitação por pontos.

E por aí vai. Vejam como a amostra é homogênea! Vejam como o estudo teve um objetivo claro de avaliação! E a tabela comparativa dos resultados? Falam bem superficialmente sobre as especificações novamente dos simuladores. Que o P1 tem baixa imersão que o ganho de confiança foi bom nos três protótipos que os três apresentaram aprendizagem intelectual, que o P1 é problemático em aprendizagem sensorial e aprendizagem de habilidades motoras. Ah! E falam também que a imersão na experiência de simulação foi aumentada com a cinestesia, mas em pouca quantidade e que não é recomendável a cinestesia como recursos essenciais em simuladores. Como assim??Porque não? A literatura demonstra que entre 5% a 10% da população sofre com a Simulation Sickness que é a doença do simulador que justamente é reduzida pelo efeito cinestésico. Como é dispensável?

Vamos comparar?


E aí, querem comparar os estudos daqui com os estudos dos “EUA”? Faça-me um favor! Vamos parar de brincar de fazer pesquisa. Vamos parar de pensar que brasileiro é burro e aceita qualquer dado estatístico facilmente. Vamos parar de pensar que dono de CFC é analfabeto e idiota. Vamos assumir nossa responsabilidade por um trânsito mais seguro com medidas e políticas públicas sérias. Vamos investir em educação! E principalmente, vamos parar de multiplicar dados estatísticos infinitamente diferentes da nossa realidade.

Provem que o simulador é eficiente e eficaz. Peguem uma amostra significativa para o tamanho do país, analisem o comportamento antes e depois. Avaliem os condutores formados com o simulador e os formados sem o simulador. Acompanhem eles após o período da permissão e um ano depois. Tragam os dados e resultados. Se conseguirem provar que o simulador reduziu os índices de acidentes ou se fez com que os alunos se formassem melhor, eu serei a primeira a levantar a bandeira do simulador. Serei ativista dos movimentos “pela vida com o simulador” "eu amo o simulador" "Sou 100% simulador". Sem isso, não há como dialogar, Capisce?

Quanto às minhas outras perguntas sem respostas, eu preciso responder?


Roberta Torres


Roberta Torres autora do livro Campanhas Educativas de Trânsito: uma metodologia de classificação e da Coleção A Escola e o Trânsito (10 livros). É professora formada pela Universidade Estadual de Minas Gerais - UEMG no curso de Licenciatura em educação artística e pós-graduada em Gestão, Segurança e Educação no Trânsito.

Começou sua trajetória no trânsito em 2002 como instrutora em um Centro de Formação de Condutores – CFC em Belo Horizonte, cidade onde nasceu. Desde 2005 tornou-se sócia de um CFC e tem atuado como diretora de ensino e coordenadora das ações pedagógicas da empresa. Entre os projetos realizados podem-se destacar blitz educativas, palestras e projetos nas escolas de educação infantil e ensino fundamental.

De 2007 a 2010 representou os CFC’s do Brasil como Diretora de Educação da Federação Nacional das Autoescolas – FENEAUTO onde fundou o Prêmio de Educação no Trânsito da Feneauto (2008) destinados aos CFC’s e o Projeto CFC na Escola (2010) desenvolvido para crianças do ensino fundamental. Atualmente ocupa o cargo de Conselheira de Educação da FENEAUTO.

Em 2009 concluiu sua pós-graduação em Gestão, Segurança e Educação para o Trânsito pela Universidade Cândido Mendes/RJ. Neste mesmo ano, ficou em primeiro lugar no Prêmio DENATRAN de Educação no Trânsito com a monografia “Classificação de Campanhas Educativas de Trânsito” na categoria Obra Técnica. Em 2012, sua monografia foi editada e lançado o seu primeiro livro.

Em 2012 criou a empresa Setes Consultoria e Treinamento, onde tem desenvolvido o trabalho de capacitação e qualificação dos envolvidos na área do trânsito em geral. Motoristas habilitados, motoristas de empresas, colaboradores e gestores de Centros de Formação de Condutores.

Atualmente, faz parte do corpo docente da Universidade Cândido Mendes, ministrando aulas para o curso de pós-graduação em gestão, educação e segurança no trânsito, na UNEC no curso de especialização em psicologia do trânsito, no CENTEC PRÓ-TRÂNSITO nos cursos de formação e requalificação de instrutores e diretores de CFCs, no IBEST como coordenadora e também em sua empresa de Treinamento e Consultoria - SETES.

Desde 2002, Roberta Torres tem se dedicado aos estudos e às ações relacionadas à segurança, promoção da saúde e prevenção da violência no trânsito por meio de cursos e treinamentos, apresentado palestras em diversos seminários, congressos e eventos pelo país. Além de seus 11 livros, já publicou artigos e capítulos de outros livros sobre o tema e tem colaborado com instituições e empresas que desejam um trânsito mais seguro e confiável, se colocando à disposição para aprender mais com trabalhos diversos, pesquisas, palestras e cursos.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Auto Escola - Indicador de Gestão: FATURAMENTO em queda?

AUTO ESCOLA - Você empresário, 

conhece os 

indicadores de gestão da sua empresa?


Desde 2010, atuando no segmento de Auto Escola, a Exata Soluções Consultoria vem traçando um perfil e informações deste segmento, com o intuito de auxiliar e promover o desenvolvimento dessas empresas. A Exata Soluções Consultoria, estará publicando artigos de diversos indicadores de gestão, que poderão auxiliar essas empresas neste mercado tão competitivo.

Indicador de Gestão: Faturamento

Um dos maiores temores dos empresários é sem nenhuma sombra de dúvidas os períodos de queda de faturamento da empresa. As despesas, por mais assombrosas que sejam apresentam uma linha de estabilidade com leves oscilações em alguns períodos característicos como no início e fim de ano. Conforme o gráfico abaixo, podemos perceber claramente a linha de estabilidade das despesas de duas empresas de diferentes segmentos. Já o faturamento é literalmente uma montanha russa, com oscilações de tirar o fôlego de qualquer de um, conforme demonstrado no gráfico. Ambas as empresas adotam o Modelo de Gestão Financeira da Exata Soluções Consultoria.


O ano de 2014 é sem dúvida um ano de grandes expectativas pelo seu calendário peculiar, carnaval no mês de março, vários feriados no primeiro semestre com possibilidades de se emendar vários dias para um merecido descanso, além é claro, do evento Copa do Mundo que irá nos proporcionar alguns feriados extras. Como se não bastasse tudo isso ainda temos o temor da inflação que nos ronda, crise no setor de energia, uma economia instável e uma recessão iminente, mascarada e amarrada por ser um ano eleitoral (veja mais em: Sinais de enfraquecimento da economia).

O ano de 2014 para o segmento de Auto Escola também é um ano peculiar, pela implantação e obrigatoriedade do Simulador de Direção (prorrogado pelo Denatran até 30/06/2014), implantação das câmeras nos veículos e filmagens dos exames de direção, cobrança de taxas de acesso ao sistema e tantas outras coisas que ainda poderão vir.

Então, como ficará o faturamento de uma empresa com todas essas incertezas?

Mas, o ano de 2014 não começa assim tão diferente de outros anos. A Exata Soluções Consultoria vem mapeando este segmento com informações e estudo de mercado com o intuito de preparar os empresários para que se pratique uma administração profissional e sustentável que possibilite superar todas essas incertezas.

Na administração tratamos Despesas como "realidade" e Faturamento como "expectativa". 

O faturamento de uma empresa por ser uma "expectativa" é algo muito sensível e dependente das condições de mercado e economia, liderança e atuação dos concorrentes, do perfil do consumidor, entre outras condições. Sendo assim, a informação e conhecimento passa ser uma das principais armas para lidar com esta instabilidade.

Identificado os períodos sazonais deste segmento (leia mais: FATURAMENTO - mistério desvendado!!!), é possível perceber como a linha de faturamento de quatro empresas apresenta variações semelhantes, respeitando, obviamente a particularidade de cada mercado e região. Vejamos no gráfico abaixo:



Vale a pena ressaltar que a empresa "X" (Capital), "Z" (Interior) e "U" (Interior) apresentaram a mesma linha de tendência e queda de janeiro a março. Já a empresa "Y" (Capital) apresentou uma leve recuperação do faturamento de fevereiro para março, não diferente do mesmo movimento e tendência comparado ao seu ano de 2013. Uma característica relevante desta empresa e que pode justificar esta reação de mercado é a sua classificação quanto ao público, isto é, uma empresa situada em uma região nobre e que atende um público de classe social "A". As razões e justificativas sobre mais esta avaliação devem ser tratadas de forma específica e separadamente.

No gráfico a seguir, podemos observar os períodos de queda de faturamento e os meses sazonais.





Períodos de queda e que antecedem aos meses sazonais.
Períodos: 
Janeiro a fevereiro
Maio a Junho
Outubro a Dezembro




Meses:
Fevereiro
Junho
Novembro e Dezembro




Vejamos outros gráficos comparativos:










Faturamento em queda?

Diante dessas informações, as empresas devem se preparar e acompanhar de perto o seu faturamento de forma a minimizar o impacto dos períodos que estão por vir, principalmente, os meses com feriados prolongados e o evento Copa do Mundo.

Este indicador de gestão é importante para a sua empresa? Você tem a gestão deste indicador?

Abordamos neste artigo o indicador de gestão Faturamento.


Em breve outros estudos de caso serão publicados.

Att.


Emerson Santana


Texto/Opinião: Emerson Santana.
* Graduado em Ciências Econômicas pela UFSJ – São João Del Rei/MG
* Especialista em Gestão em Finanças  pela UFSJ- São João Del Rei/MG
* Especialista em Gestão, Educação e Segurança para o Trânsito - Belo Horizonte/MG
* Consultor Administrativo e Financeiro
* Ministra Cursos de Orçamento Pessoal e Familiar
* Ministra Cursos de Gestão Financeira para MPE's in Company 

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Auto Escola - Indicador de Gestão: FATURAMENTO -Você conhece o seu segmento?

AUTO ESCOLA - Você empresário, 

conhece os 

indicadores de gestão da sua 

empresa?

Desde 2010, atuando no segmento de Auto Escola, a Exata Soluções Consultoria vem traçando um perfil e informações deste segmento, com o intuito de auxiliar e promover o desenvolvimento dessas empresas. A Exata Soluções Consultoria, estará publicando artigos de diversos indicadores de gestão, que poderão auxiliar essas empresas neste mercado tão competitivo.


Indicador de Gestão: Faturamento - Mistério desvendado!!!

No artigo anterior, Faturamento: Desvendando o Mistério!!! (leia mais), este indicador foi apresentado como forma de esclarecer e demonstrar os períodos sazonais existentes neste segmento. Na oportunidade, os dados apresentados eram até o mês de outubro, onde até então, dois períodos críticos de faturamento já haviam sido sinalizados com quedas bruscas de faturamento, sendo eles: fevereiro e março (período de carnaval) e de maio para junho.

A Exata Soluções Consultoria, através de estudos, informações e conhecimento de mercado, sinalizou o período de outubro a dezembro como um potencial período sazonal de queda de faturamento, com o intuito de auxiliar e alertar os empresários desse segmento para o período que se iniciaria.  Este período de fim de ano é o mais sensível aos cofres da Auto Escola, principalmente, pelo aumento dos compromissos e despesas e diminuição de faturamento.  Os efeitos desse período podem ser desastrosos para o ano que se inicia, com a redução do capital de giro da empresa, mudança de comportamento do consumidor, entre outros. Leia mais sobre o artigo: Cartão de Crédito - mudança de comportamento do consumidor.

Vejamos abaixo o gráfico do artigo: Faturamento: Desvendando o Mistério!!!


Encerrado o ano de 2013, a Exata Soluções Consultoria apresenta no gráfico abaixo o resultado do período sazonal de quatro empresas que já implantaram o Modelo de Gestão Financeira. 

O Modelo de Gestão Financeira nos permite acompanhar, diagnosticar, intervir e promover ações capazes de preservar a saúde financeira da empresa, mesmo em períodos como esses. 

E mais uma vez, demonstramos aqui o conhecimento de mercado a ser repassado aos empresários desse segmento com o intuito de se prepararem, aprimorarem e fazer desse segmento, um segmento forte e sustentável. 

Afinal, o que era falta de informação, dúvida ou ceticismo de alguns profissionais e lideranças de instituições que deveriam repassar essas informações ao segmento, não procede mais...



Analisando o gráfico, podemos identificar a queda do faturamento a partir de outubro nas empresas "X", "Y" e "U". A única que apresentou uma curva de crescimento de novembro para dezembro, o que é incomum, foi a empresa "Z". Fato este justificado pela ação de vendas eficiente junto ao público sobre a implantação do Simulador de Direção a partir de 2014, trazendo para dezembro uma demanda pré-existente de janeiro. 

Este indicador de gestão é importante para a sua empresa? Você tem a gestão deste indicador?

Abordamos neste artigo o indicador de gestão Faturamento.

Em breve outros estudos de caso serão publicados.

Att.

Emerson Santana

Texto/Opinião: Emerson Santana.
* Graduado em Ciências Econômicas pela UFSJ – São João Del Rei/MG
* Especialista em Gestão em Finanças  pela UFSJ- São João Del Rei/MG
* Especialista em Gestão, Educação e Segurança para o Trânsito - Belo Horizonte/MG
* Consultor Administrativo e Financeiro
* Ministra Cursos de Orçamento Pessoal e Familiar
* Ministra Cursos de Gestão Financeira para MPE's in Company 







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